20/10/2009

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¡¿... bazofia-se ao capadócio, o avesso do parlapatão ...?!

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16/10/2009

El Club del Centimetro

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Se aproximava a semana santa, sabia que o proprietário da casa viria, como de costume, desfrutar seu rincón de veraneio. A cidade costuma virar um formigueiro nessa época, mas meus planos de fugir da multidão haviam caído por terra. Não haveria problema em ficar na casa durante sua estada, aliás seria até de bom tom a presença, uma vez que àquele figura fazia gosto prestá-la a artistas que estivessem de passagem por ali, e lhe agradava que deixássemos para a casa algo de nossas criações. Isto já me havia advertido uma amiga, a que arranjou pra que eu morasse ali.

A personagem era realmente excêntrica. Um sujeito abastado e muito inteligente, havia triunfado na vida ao ter com a Luz. Viveu dedicado às viagens e à leitura, arquiteto, um visionário criador de "obras vivas", como ele mesmo dizia.

Isso percebi ao entrar na casa pela primeira vez, instalações feitas com frutas já eram verdadeiras culturas de fungos, espalhadas por uma prateleira de uns quatro metros por nove de altura, recheada de livros e bugigangas, muitos exemplares únicos e alguns manuscritos.

Pelo chão de toda a casa se espalhava a folhagem do outono passado, que fora recolhida da praça em frente, foco de visitação de muita gente naquela semana pois é endereço de uma das principais igrejas da cidade.

Apesar de tantos pedidos de minha amiga para que eu mantivesse intacta a arrumação original, não resisti em por ordem na casa, recolhendo as folhas, limpando tudo o que vi pela frente, inclusive despachando algumas "instalações vivas" e empilhando as inúmeras cadeiras de balanço na asotea, enfim, tornando o lugar habitável. Fiz uma verdadeira revolução por ali e não vou mentir, temia muito o momento em que Miguel entrasse por aquela porta.


¡...Ding Dong...!


_Ayuda-me aqui con el equipage niño!

Aparentava já seus setenta e tantos apesar de um tanto mais novo, e seu rosto mostrava o cansaço da viagem e do câncer que já vinha há tempos parceiro de suas andanças. O acompanhavam dois amigos, um cineasta americano radicado em Londres que vive em Barcelona, sua cidade, e uma londrina, companheira de viagens tão "vividora" quanto ele próprio.

Era tarde da noite, mas ainda assim nos pusemos de pronto no salão do último andar. Um vinho, y el viejo saca un porrito.

_Liád-lo tu chaval!

Me pus a enrolar o pitillo muito desajeitadamente, enquanto sua amiga dava falta de algumas fotos que costumavam estar presas com alfinetes nas paredes, perguntando o que havia sido feito delas. Me livrando do encargo, abri um grande baú que estava ao meu lado, havia quantidade suficiente de fotos ali para empapelar toda a casa.

_Ahh... Vale! Disse, aliviada.

Nos pusemos a conversar, eu, mais calado, ouvia as histórias daquelas personagens, imaginando como seria possível viver aquelas experiências, eu poderia apenas sonhar ter conhecido tais lugares e pessoas.

Entusiasmada, olhando as fotos, a londrina contava sobre um passeio com seu pai quando tinha cinco anos, dizendo que nunca poderia esquecer a imagem daquele homem que encontraram e que levava uma tortilla no bolso do paletó, no lugar de um lenço. Era o Salvador Dali. Antes que ela pudesse contar mais algum causo' de suas incríveis aventuras, Miguel se dirigiu a mim com um sorriso.

_Niño, ¿sabes tu que en la vida todo es cuestión de medida?

Não soube o que responder, estava absorto, olhando para a taça de vinho e esperando o momento em que ele iria queixar-se da limpeza na casa.

_A esta casa la gente ha respectado tanto que ya estava muriendo. Mejor que estea asy, tengo ganas que se vuelva un centro de cultura.

Me senti aliviado, para mim aquilo pareceu uma aprovação, eu estava muito tenso esperando o momento em que aquele homem ia reclamar do que fizemos ali. Mas eu também queria dar vida à casa, poder abrir as ventanas do saguão.

Semanas depois, seus amigos já haviam partido, e fui deixá-lo no aeroporto. Enquanto via aquele velhinho se distanciando, pensava no quanto sua breve passagem por minha vida havia me ensinado, e se um dia voltaria a vê-lo, se estaria vivo.

Nao soube mais de Miguel, mas até hoje descubro sentido nas coisas que dizia, sobre a vida, e suas medidas.




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¡...a distorção das posturas, o postergar da distancia...!






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15/08/2009

Uma paixão, uma exceção.



Um dia atípico de chuva, muita chuva para um outono. Já estava a horas enrugando na banheira, pensando porque diabos eu fugia de compromissos e não tinha mais a capacidade de me apaixonar. Muitas chavalas interessantes, pouco mais de uma noite com elas.

O interfone tocando insistentemente e eu submerso, ausente. Não sei porque cargas d'água quando ouvi resolvi atender direto na entrada. Todo encharcado apenas de toalha abro a porta.

_ Esta es la casa de Miguel? Ela era mignon, loura, rosto angelical.

_ Pasa niña... entra! Com a chuva que estava nao sei nem de onde ela tirou a ideia de parar ali. _ Eres tu Marco, el cinegrafista?! Não sou, nao era a mim que procurava lamentavelmente, pensei enquanto lhe dava uma toalha.

_ No, soy Mario... tu?
_ Me han hablado del personage que es el dueño de aqui. Vengo por un reportaje.

Fotógrafa, queria fazer uma copilaçao dos "personajes de la alameda" e eu certamente não era um deles. Ainda assim eu queria chamar a atenção da guria, vinte e dois aninhos eu soube depois.

Ela parecia encantada com o lugar, e antes que eu me oferecesse para mostrar-lhe a casa ela já estava no terceiro andar. A chuva pára. A levo para a asotea para ver a praça, nao consigo tirar os olhos da moça, me senti entorpecidamente apaixonado.

Não me sentia assim havia muito tempo. Os cabelos molhados e aqueles olhos azuis me fizeram esquecer a meditação na banheira mais cedo. Algo que nao sei explicar me fazia temer a simples ausencia daquela desconhecida.

_Ya no llueve. Vamos por un café? Te la invito.
_Amo café! Me responde com um sorriso lindo. E foram muitos cafés. Momentos pelos quais ambos ansiávamos.

Três meses depois eu ainda disfrutava a companhia daquela adorável francesinha, nos cafés, na lua, nas ruas de mãos dadas... mas nao fui seu porto. Ela tinha muito o que navegar, e eu a perderia de vista.

Nunca deixei de lamentar esta perda.



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¡...eis que nao sou porto, senão marina...!


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11/08/2009

Baile de máscaras


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Com aquele quê de bons ares o ambiente já estava cheio quando cheguei. Tive a impressão de que se eu desse piruetas ali ninguem repararia ou se daria conta de minha presença.

Todos pareciam enturmados e se mostravam felizes disfrutando aquele momento. Ainda assim não me esforcei para demonstrar agrado, algo ali nao me inspirava confiança. Mesmo conhecendo grande parte das pessoas me aproximei de imediato a uma chavala que estava sozinha no balcão, eu nao a conhecia.

_ ¿que tal? Soy Mario.

_ Macarena, encantada. Me responde com ares de bêbada. Com dois minutos de conversa, percebi que a moça estava desaconchegada, nao se sentia bem ali.

_ Vamos a otro sitio si te apetece. Disse mesmo pensando que podia nao ser uma boa idéia. Seu olhar nao pôde esconder a aprovação, mas ainda assim disse que nao, estava bem ali.

_ Voy por una cerveza, ahora vengo. E a deixei sozinha. Umas duas brejas depois, enquanto conversava com os usuais de boteco pude notar que a moça estava desfalecendo. Preocupado, pergunto se alguem sabia quem era a figura ou com quem estava. Ninguem me responde.

Me acerco novamente e dessa vez me diz diretamente:

_ ¿pa donde vamos? Os lábios brancos, travei. O que eu faria com uma figura que já parecia um boneco-de-cera e que na verdade aceitara meu convite apenas porque já nao conseguiria sequer ficar em pé?

Avisto uma colega que morava a duas quadras dali.

_ Niña, esta chica necessita ayuda, algo no la ha sentado bien.

Me deu as costas. O curioso é que não poucas vezes eu as havia visto conversando em bares por aí.

_ ¿Donde vives? tienes alguien que te la lleve pa tu casa?

A moça nao dizia nada, e já se apoiava em meu pescoço. Olho ao redor e aquele mar de "estranhos" já nao me surpreendia. Qualquer que fosse o meu apelo, havia ficado para mim a prenda. Me encarreguei do fardo, enfiei a guria num taxi e rumei para a minha casa.

No desayuno, silencio. Sem agradecer e posando a xicara na mesa se levanta. _ ¿El barrio ese que? Ela nao sabia onde estava, explico. Sem olhar para tras, deixando aberta a porta da frente, desapareceu pelo meio da praça.

A melhor parte de estar alheio num baile de máscaras é que voce nao precisa usar uma, nao faz diferença.



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¡...num mar de possibilidades, o desdenhar de quem te alheia...!




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07/08/2009


Não sou uma pessoa muito sociável mas ainda assim, e não sei por que razão, era constantemente convidado a estar em reuniões de amigos que muitas vezes eram completamente estranhos a mim, exceto por dois ou tres os quais jamais sairão do meu repertório.

Era um pequeno apartamento. De um quarto no fundo vinha uma música frenética e muitas risadas. Na mesa da sala, petiscos estavam abandonados em meio a muitas garrafas vazias. Cheguei tarde, pensei.


_Mário! enfin canijo!

Me ajudando com o casaco, ela já me apresentava às pessoas que estavam no recinto, eram muitas. Eu nem mesmo sabia de quê se tratava a ocasião, mas pela quantidade de gente apertada naquele apê conclui que devia ser algo importante. Já com um copo na mão, e uma mão na outra, sou arrastado pelo corredor até o quarto de onde vinha a música.


Muita fumaça, e como de costume fui logo intimado a liar o próximo porrito. Minha amiga me apresentou o aniversariante a ali ficamos a fumar e tagarelar por horas, muito interessante essa galera. Alguns dançavam como se estivessem em uma boate, outros discutiam o ultimo jogo de futebol. Foi quando ocorreu a cagada.

_tendrá que comprar unos brasileños este equipo de mierda!

Já pescoçando o assunto me aproximei.

_¡¿brasileño quê?! los mejores son los argentinos! Diziam.

Não pude deixar de rir. Completamente alheio ao que acontecia, entravei uma discussão de que os argentinos isso e aquilo... e que o brasil é foda e bla,bla,bla... Não sei se por efeito da bebida mas eu estava indo muito bem nas minhas indagações, coisa rara porque nem gosto de futebol, e também porque costumo ser acanhado e nao sou de falar muito.

_Mario, estás enterado que este cumpleaños es de un Argentino?!

A voz suave me calou. Silencio. O clima pesado não deixava outra brecha senão a que estava entre mim e o aniversariante que me encarava. Com um sorriso cínico ele me estende a mão:

_Seguimos la fiesta en la calle?!

O que parecia um convite a me retirar não era. Na verdade fomos todos para a rua, e conforme andávamos, uns ficavam por aqui ou ali, outros se despediam. Sobramos eu, os dois que eu já conhecia, e o aniversariante.

Nascia ali uma verdadeira amizade.



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¡...o perdúrio da sabedoria, despojar da consciência...!




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05/08/2009



Ninguem melhor que o proprio sujeito que passa
pela segunda vez por uma situaçao para concluir
que ele nao devia estar assim de novo, eu ainda
nao havia me dado conta. Enquanto recobrava meus
sentidos percebi que já era noite, e eu nao sabia
onde estava, ou com quem.


Ao fundo umas vozes, e
tudo no que eu podia pensar era: Fudeu!.

Uma feiçao assustada me olha nos olhos, nao
reconheço. Como quem vagamente lembra de um sonho
ao acordar, eu podia jurar que era dia e eu estava
em frente à minha casa. Mas era noite, e eu nao
entendia bem o que estavam me dizendo.

Outra feiçao ria e me ajudava a levantar quando me
dei conta: estou a muitas horas acordado, e me
diverti muito neste dia. Toquei, conheci gente,
bebi bastante cerveja que tava um puta calor, e
fumei tambem eu confesso. Legal.

_Vai com a gente ou qué imbora?



Acordei, o ambiente iluminado por uma pequena
janela nao me era familiar. Uma cama ao lado vazia
e arrumada. Apenas meus sapatos no chão. Penso se
nao seria melhor eu saber onde estava. Nao demorou
pra eu perceber que se tratava de um pequeno
hotel, mas quando percebi o quarto já estava
escuro.

Levanto de sopetão e como quem lembra de tudo
penso:

quem vai pagar a conta?


_MOça eu vim com alguem?

A conta estava paga, e ela nao soube me dizer quem
era senao um casal apressado.


A estaçao de trem vazia, e eu nao parava de
pensar: porque, seu idiota, voce nao se arrependeu
na primeira vez?

Lamentei toda a diversão da qual eu mal podia
lembrar.








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...precaVer-se ao precipiCio, preFerir-se ao preVenido...




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04/08/2009

¡shock!



Noite, quarenta e tantos graus cozinham uma verdadeira multidão de gente nas ruas, na porta dos bares disfrutando sua merecida cervejinha após um dia inteiro de clausura e ar-condiconado. Como de costume, e claro porque os bares sequer comportam muita gente em seu interior, as pessoas no calçadão se revezam entre rodas de amigos, e rondas de bebida.

Doze menos quarto. Vemos um furgão se aproximando. Boa coisa não pode ser, aqui só circulam carros de serviço... ou da policia! Quando nos damos conta um cordão de soldados vestidos ao estilo “swat” já obriga um pequeno grupo a deixar suas copas, alguns são detidos ao reagir. É a lei “anti-botellona” que entra em vigor. Sob o pretexto da manutençao da ordem e da limpeza da cidade o governo determinou que está proibido o consumo da bebidas alcoolicas após a meia noite nas ruas.

Indignados! Alguns que se opõe aos polis tem sua resposta em borrachadas. Muitos de nós, assustados, entramos nos bares para fugir da policia, outros apenas dispensam suas copas e partem protesto contra o batalhão de choque. Os mais pacificos e os ilegais, rapidamente se dispersam e tomam rumo pra longe da confusão. Como o cordão do choque não nos dava outra saida, o resultado foi que naquele momento os bares se tornaram verdadeiras latas de sardinha e se não fosse o espirito pacifico de nós os “encarcerados” certamente aquilo teria se tornado uma rebeliao!

Ótimo. Agora estou dentro da lei, e dentro de um bar onde apesar de eu poder consumir minha cerveja, sequer posso levantar o copo para levá-lo até a boca, pois estou prensado numa massa de gente e cotoveladas. Através da vidraça já suada com o vapor de nós borrachos, vejo que a confusao lá fora já esta passando. Pouco a pouco as calçadas voltam a ganhar vida. Com algum esforço consigo sair do bar, deparo com alguns amigos que haviam ficado para afrontar os guardas.

__ ¿¡y eso que!?

__ Nada Mario, es asy siempre, y hasta que el gobierno consiga echarnos de aqui, o que llegue el invierno.


Encafifado, tomo o caminho de casa. Chutando garrafas pelo chão e pensando: teria razao o “choque”?!


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¿me vuelve sano el shock?


el desengaño me dice que tenias razón:

el sol no baña mi campo de falacias!


pero… crecen tan vivas y coloridas!


huelen dulce cuando llueve…

y murmullan al viento flaco.


queda bonito el adorno ¿verdad?



¿no lo ves?



da me el shock!

da

me el shock!






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03/08/2009

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<¡Concretas!>





60BPM

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60 bpm por cuanto duren las pilas


60 bpm mientras me harto de tiempo


60 bpm resuenan… cloc, cloc, ...


mezclaos a murmullos

n´english, deutsh, español…


60 bpm me enfada del humo,

me harta de sumo

y tabletas de chocolate


60 bpm…


ensordece el palpitar de mi pecho...


mientras pulse el mundo,

a 60 bpm



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¡Vácuo!

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NO ME COMPRENDE,

NO ME ECHA CUENTA...

LO QUE A UNO ÉS VACIO

A MI ME REBOSA!

ECHO-ME UN HUECO

E LO DEMÁS AFUERA!

INTERPRETÁRA UN SER

ANTROPOFÁGICO,

ECHANDOME A MI


VÁCUO



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Casa-Ocupa

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slides en las paredes...

colores líquidos

encharcan el techo.

slides en las paredes...

trapézio pendiente

colgado en el suelo...

eletropop... Pop!!

slides en las paredes...

esqueletos mirando peñascos!

casa-ocupa pintada por luz...

slides en las paredes...

sombras delgadas

por todo el terreno...

rotas ventanas

refrescan proyectoras,

estática,

la luna invade la clausura!



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La Gente | El Sumo

VENTANAS PEQUEÑAS

ECHAM ME HALOS

EN MI CABEZA

UN SUMO DE GENTE

CHORREA HACIA FUERA

DE ESQUINAS ESTRECHAS.

LINGUAS, E OJOS,

Y OIDOS...

FLOTANDO ENTRE MUROS

QUE APRETAM MI VISTA.

¡..miente que te la creo...!

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cola de sirena,

castillo de arena.

paraguas de seta,

sueño de profeta…


haz verdad, mi delirio.

haz de ti,

lirio.


viértete en mi boca

y te la trago.


miente que te la creo.


crees que no lo veo,

pero me encanta tu veneno.


sorbe el hilo de la ilusión que me sobra

y que te ahorras.


y al castillo,


que lo lleve el agua,


o el viento.





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postumario,
quisiera morir
siquiera nacer
el futuro
postumario
ilusión de vivir
sin cuestión
sin contrario
en un eterno futuro
postumario



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San Lorenzo

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palmera, reloj, torre

cruz, campana…

y torre!

nido de cigüeña…

cigüeña no!

pa lo mas…

abren camino entre migajas

bajo la cruz,

callada campana.

el tiempo abandona

al reloj parado,.

y el nido

espera la vida,

encima la torre.






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